terça-feira, 23 de outubro de 2012

Amizade


Esse mês fui madrinha de um casamento celta. Lindo, inesquecível. Uma cerimônia realmente muito especial, profunda, delicada. E fui convidada para falar sobre a amizade, para os noivos. Nossa, que responsabilidade! Como conseguir falar sobre isso em tão poucas palavras e tão poucos minutos? Pois é, não consegui cumprir muito bem o número de caracteres permitido e acabei roubando uns minutinhos a mais da cerimônia. Não tinha como ser diferente. Eram muitas coisas para falar. E, é claro, que com muitas lágrimas e uma certa tremedeira. Nervoso? Um pouquinho. Mas muito mais emoção do que qualquer outra coisa.

Foi bom porque consegui destacar alguns pontos importantes sobre a amizade e resumir, bem resumido, o significado dela para mim. Agradeço aos meus amigos que me ajudaram a entender tudo isso, aos que passaram e aos que ficaram, e aos noivos, por terem me dado essa oportunidade maravilhosa. E dedico, com amor, este texto a eles. Dedico não, o texto é deles.

E como uma homenagem a esse momento, aqui está ele, no blog.

Foi assim...

Ser amigo. Hoje em dia nós temos tantos, não é mesmo? Tantas pessoas a nossa volta curtindo os nossos status, as nossas fotos, compartilhando as nossas emoções, nossas opiniões. Mas na hora de dividir as dúvidas, as necessidades, os medos, as inseguranças. Aí sim nós podemos avaliar quem realmente está com a gente. E normalmente levamos um susto! Onde estão aqueles 723 amigos que eu tinha?

Não é muito fácil falar sobre a gente, em tão poucos minutos, quando se trata de alguns anos e de tantos momentos.

Encontrar vocês foi maravilhoso. Primeiro a A, que eu conheci no teatro e dividi muito os palcos. E depois o R, que ganhei de brinde!

Bom, quero falar da amizade. Afinal de contas foi ela que uniu vocês. Ela que permitiu que esse outro sentimento que hoje os impulsiona a formar uma família, florescesse. Tendo ela como base vocês conseguiram passar por tudo o que precisavam para ter a certeza de que queriam estar aqui, hoje, juntos.

Ser amigo é isso. É simplesmente querer estar perto. E eu quero vocês, sempre aqui, dividindo cada momento de alegria, cada comemoração, cada dificuldade. Quero estar perto para nos divertimos, pra desfrutarmos do mundo, mas também para ajudá-los a compreender e aceitar as tristezas e as provas da vida. Não se assustem se elas aparecerem em algum momento, porque também são elas que nos fazem crescer.

Ser amigo é admirar. E eu admiro vocês. Admiro esse seu sorriso gigante, R , esse seu alto astral, a sua resistência física pra encarar todos esses campeonatos de footvoley, a sua paciência, A, pra agüentar as emoções de tantos jogos! A sua alegria, a sua determinação, a forma que você tem de valorizar pequenos gestos, a sua capacidade de ultrapassar tantos momentos difíceis sempre com muita alegria e entendimento. Admiro a sua dedicação para a cada dia se tornar um ser humano melhor e espiritualizado. E não pensa, R, que eu esqueci de todo o seu empenho pra acompanhar a sua esposa nesse caminho espiritual. Sabemos bem dos cursos de respiração que você fez nos finais de semana de sol, das meditações na praia que você freqüentou enquanto a bolinha e os amigos te esperavam na areia do lado, das palestras dos mestres indianos que você assistiu com direito a hareburguer e tudo. Pra quem não conhece, hareburquer é um hamurguerzinho de soja.

Ser amigo é entender, sem julgar. E eu estou aqui pra isso. Quero ter a capacidade de compreendê-los, sempre. Os seus desejos, as suas opiniões e, principalmente, as suas decisões. Sem julgar, sem exigir todos os porquês porque sei que muitas vezes nem mesmo vocês os conhecerão.

Ser amigo é amar. Amar sem expectativas, sem esperar nada em troca. Amar por simples desejo ou por doação.

Afinal de contas, é o que levamos da vida. As nossas experiências e as relações. E a nossa eu quero levar seja pra onde for. Até o final de nossas vidas, até o início das outras, até virarmos estrelas e nascermos num outro céu, até o infinito. Porque amor não se mede, se sente e se vive.

Eu amo muito vocês! E desejo que cada passo que vocês derem a partir de agora seja de muita união, compreensão, tranqüilidade e sensibilidade. Quando somos sensíveis ao ponto de entender que cada um tem um passado, cada um tem uma vivência, cada um chorou por um motivo, que muitas gargalhadas foram dadas ainda sem a presença dos dois, a gente começa a compreender que o outro é o que é hoje por tudo isso, e que foi isso que nos fez amá-lo.

E pra terminar, quero dizer que tenho uma relação muito forte com as estrelas. Faço coleção delas. Costumo dizer que as minhas estrelas são pessoas ou acontecimentos. Aqueles que me fazem perceber o quanto é lindo viver e como vale a pena. Quero que saibam, que quando os conheci acrescentei duas belas estrelinhas ao meu céu e hoje ele brilha mais forte, graças a todo o carinho que nos uniu, graças à nossa amizade.

Obrigada. Obrigada por tudo o que já me proporcionaram. Obrigada por tudo o que são e por tudo o que me fazem ser.

Sejam sempre amigos e contem comigo.

Foi isso...

Saí de lá realmente sensibilizada. E isso permaneceu durante alguns dias. Até hoje.

Música inspiradora do dia: Gaivota


sexta-feira, 1 de junho de 2012

O som que silencia

Às vezes acontece de querermos escrever e nada sair. O que fazer nesse momento? Deixar pra lá ou forçar para que se produza alguma coisa de qualquer maneira? Eu prefiro deixar fluir. Até porque escrever para mim é isso, deixar vir, deixar ir, sem obrigações.

Hoje é um dia desses, onde tenho tudo para dizer mas ao mesmo tempo nada. A canção que ouço no momento ocupa todos os meus espaços vazios. Só não ocupa o da vontade de conseguir um dia produzir algo assim, de tão profunda beleza.

Não me preocupo muito porque também sou feita desses espaços. E hoje preciso deles para poder preenchê-los com música. A música dos passos, a música da coragem, a música das certezas, das decisões, a música das músicas.

Essa sensação também é boa, a de caminhar sem saber para onde, mas com a mesma vontade que eu teria se tivesse que chegar a algum lugar. A sensação de simplesmente ir.

Normalmente precisamos saber muita coisa. De onde estamos partindo, onde vamos chegar, para que fazemos certas coisas, o que vamos ganhar com isso, quem vai com a gente, quem fica, e, e, e. E pouco escutamos as notas musicais que estão espalhadas pelo próprio ar que respiramos (quando respiramos). Quantas canções poderíamos construir!

E as notas passam, se repetem, pausam, silenciam, trazem o ritmo do nosso caminhar. Aceleram, esperam alguma outra chegar, chegam juntas, se vão sozinhas, se prolongam, chegam de surpresa, com força, suavizam, trabalhando juntas, sempre. Cada uma no seu tempo, se respeitando, com seus limites e capacidades, sempre se superando.

E eu as sigo, a cada segundo, e volto a não ter nada a dizer. O silêncio dos espaços vão sendo preenchidos, num volume cada vez mais alto, na melhor forma encontrada de combinar sons e silêncio!

Música inspiradora do dia: The Park on Piano - Finding Neverland


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Juntando os pedaços

Rever os percursos da vida. Muitas perguntas feitas da gente pra gente mesmo, talvez poucas respostas. Deixar ir o que não nos serve mais, abrir espaço para os lindos e especiais presentes que certamente ganharemos. Sermos completos porque gente repartida não é gente! Caminho longo a seguir. Jogar fora os medos, as culpas, vergonhas e coragem!

Ai...

É! Dizem as boas línguas que esse tipo de sentimento não nos pertence, não faz parte da natureza humana, que foram passados pra gente pela sociedade e através da nossa educação e por isso podem ser facilmente eliminados! Então, basta jogarmos fora e nos transformarmos em pessoas melhores, preparadas para todas as possibilidades desse mundo encantador!!

É?

Claro! Nada de nos preocuparmos com nossa imagem e com o que o outro pode vir a pensar da gente porque quem vai se responsabilizar pelos rumos de nossas vidas e pela consequência das nossas escolhas somos nós mesmos. Os pensamentos ou sentimentos alheios não precisam ter toda essa importância que damos, não é mesmo? Basta reconhecermos o que tem valor pra gente e fazermos o que pra gen-te fará diferença. Não para alimentar ou satisfazer o desejo alheio. Dessa maneira seremos pessoas inteiras, sólidas, confiantes, que têm consciência do seu potencial!!!

Uau!

Quanto às mágoas, tristezas e dores de amor, por exemplo, passarão como um ventinho nos nossos fios de cabelos. Algo quase imperceptível. Isso porque não criaremos expectativas sobre coisas e pessoas, não esperaremos nada delas. Logo, seja o que for que fizerem não nos atingirá porque nada esperamos. Então nenhuma atitude ou surpresa nos impressionará!!!!

Hmmm...

O trabalho e as relações pessoais seguirão em fluxo perfeito porque estaremos nos sentindo poderosos e brilhantes. Estaremos conscientes e certos de que podemos o que desejamos. Alma livre e pronta para o mundo!!!!!

É mesmo?

Nada de pobreza. Nada de querer pouco, de acharmos que não merecemos mais do que o básico. O nosso espírito quer se espalhar, se realizar, quer ter oportunidades. Precisamos ajudá-lo! Material não nos falta. Precisamos trabalhar os pensamentos e a nossa imaginação porque eles nos curam da mesma forma que são capazes de nos adoecer e nos cegar. Sua força vai além do que podemos imaginar. Temos que ficar atentos. São vibrações muito delicadas que enviamos para nós mesmos, para nossa mente e nosso corpo que também fala mais do que normalmente conseguimos escutar!!!!!!

Ah!

Os sentimentos são transitórios! Nenhum está colado na gente sem poder ir embora e nem tão deslocado que não possa chegar mais perto. Eles vêm e vão! Faz parte. Nada de apegos! E olha, as defesas nos paralisam, viu? Se atira que o mundo cuida! Gente pela metade não chega a lugar nenhum!!!!!!!

E aí?

E aí que tudo o que é feito pode ser desfeito.

É?

E eu quero ver colocar essa teoria na prática.

Ué??!!

Ué?? Trabalho árduo esse de juntar os pedaços!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Música inspiradora do dia: Coração do Agreste - Fafá de Belém

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ei, desculpe!

Pedir desculpas parece que dói. E como toda educação e cultura, é uma questão de aprendizado. Aprendemos a pedir desculpas se estivermos abertos para isso. E nos abriremos se formos estimulados. De preferência, desde pequenos.

A vontade existe, a pessoa quer falar, mas não sai. Prefere ver o mundo cair a dizer essa palavrinha mágica. Entre as crianças, par ou ímpar para ver quem pede primeiro. Entre mãe e filha, vemos a pequena, sofrendo, querendo se desculpar para poder se sentir mais leve e feliz mas não consegue, apesar do enorme desejo.

E assim vamos nos corroendo por dentro, alimentando o bichinho da tristeza dentro da gente. Medo, orgulho, sentimento de inferioridade, competição, dificuldade para se expressar, mente fervilhando, peito doendo, células se desordenando. Briga entre cérebro e coração.

O maior problema não é errar e sim não assumir o seu erro. Ou pior, assumir pra você mesmo e ser incapaz de dizer isso ao outro. De onde vem esta dificuldade? Será mais uma barreira criada pelos sentimentos?

Sei que quando a gente está com raiva ou quando nos sentimos magoados, pedir desculpas parece ser uma missão impossível. Quando achamos que estamos com a razão então, sai de baixo! Mas por outro lado, experimentar se desculpar para acabar com uma briga, por exemplo, pode ser bem divertido porque percebemos o real poder dessa palavra, o quanto ela pode mudar as coisas da água pro vinho. E aí...pouco importa quem está certo ou errado. Resolveu?

Nos desculparmos por coisas que fizemos sem querer também vale. Não tínhamos a intenção, mas até explicar e o outro compreender...Desculpa!

É apenas mais uma questão de atenção, de cuidado, de consciência e amadurecimento. De pais e filhos. De pais para filhos...

Acho que depois do primeiro “desculpa!”, os outros virão atrás e ainda acompanhados de beijos e abraços. E então, vamos tentar?

Ah! E caso eu tenha dito aqui alguma bobagem...Desculpem-me!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Até que a morte nos separe?

Estar com uma pessoa é questão de decisão, de escolha. O destino, as circunstâncias ou as coincidências colaboram para esse encontro tão especial, mas os verdadeiros responsáveis pelo sucesso de um relacionamento somos nós mesmos.

Felicidade é uma coleção de momento felizes. Ela não chega de um dia pro outro e nem cai do céu. É construída com esforço, com desapego. É necessário abrir mão de algumas coisas, é preciso ceder. É preciso, principalmente, querer que dê certo. Aí está um dos pontos principais. Paixão e amor não sobrevivem sem real dedicação, sem um espírito de renovação.

São duas pessoas com histórias diferentes, cada um com a sua criação e vivências diversificadas. Isso não dá para apagar, mas pode receber certa atenção para ficarmos com o que realmente será útil.

O medo parece não nos levar a lugar nenhum, apenas nos trava e nos impede de viver mais, de aproveitar melhor as situações. O orgulho também segue por aí, os joguinhos, a competição, a falta de expressão dos sentimentos. Por que não dizer que gosta, se gosta? Não dizer que ama, se está na ponta da língua, por que não pedir desculpas?Por que não fazer carinho na hora da briga, dar um abraço, pedir ajuda?

Estar junto é poder dizer o que pensa, sem medo de ser criticado ou repreendido, é ter liberdade para isso. É não guardar, não esconder, lembrando que tudo pode ser dito se feito com delicadeza e que não podemos ser donos da verdade porque a verdade alheia pode ser diferente da nossa. É querer ver o outro satisfeito e realizado mesmo que as escolhas dele não nos agradem tanto porque teremos alguém mais feliz ao nosso lado.

Com o tempo e amadurecimento aprendemos a criticar menos e aproveitar mais. Aceitar que o outro tem vontades, muitas vezes diferentes das nossas, e que a sua ausência em um evento ou outro não significa falta de amor. Mas aprendemos também que estar em algum lugar, mesmo não sendo o lugar dos sonhos, porque sabemos que é importante para o nosso companheiro ou pelo simples e delicioso prazer de tê-lo ao nosso lado, também pode ser muito gostoso se soubermos aproveitar. A gente aprende com ele. Com os corações abertos, podemos entrar e participar do mundo da pessoa que amamos e permitimos que ela também faça parte do nosso. Essa troca faz bem, enriquece, traz novos amigos e podemos desfrutar de culturas diferentes.

E então entram os limites e a flexibilidade. Nesse momento chega a hora de deixarmos o egoísmo de lado, de percebermos qual é a prioridade e sermos compreensivos e companheiros. Qual a hora dos amigos? Do trabalho? Onde ficam os eventos familiares? Quem vai pra onde? Vamos juntos?

Carinho, amor e sexo fazem bem pra alma e colaboram para uma boa saúde, delicadeza traz sorrisos, cuidado traz aconchego, gentileza faz um bem danado, surpresas são gostosas e quebram a rotina, sensibilidade abre os horizontes. Algumas palavras machucam, silêncio em excesso incomoda, gritos e rispidez dão dor no peito, grosserias destroem o amor aos poucos, acusações sem fundamentos entristecem, barracos irritam e dão vergonha, mentiras enganam os que mentem.

Desentendimentos fazem parte da construção da relação. E o mundo não acaba quando isso acontece, desde que não se perca o respeito. Vejamos como mais uma oportunidade de crescimento, de ajuste. Nem sempre os dois estarão pacientes e compreensivos, calmos e equilibrados, mas um deles precisa estar disposto a manter o eixo - parar, silenciar e resolver. Sem grandes lutas. Um dia eu, outro dia você. Não precisamos brigar para ver quem grita mais alto ou escolhe melhor as palavras que ferem, quem consegue ficar mais tempo sem se falar ou quem dorme melhor brigado. O tempo passa rápido demais pra isso e hoje em dia cada minuto é muito precioso. É preciso cuidar, ponderar, renovar. Conquistar sempre, plantar uma semente nova a cada dia para estarem sempre nascendo e renovando o jardim. 

Nossas vidas são cheias de mortes e renascimentos. Nas amizades, no trabalho, nas relações familiares. E por que não no amor? Com o tempo precisamos deixar ir aquilo que já não nos faz bem para abrir espaço para o desconhecido. Isso tudo porque as pessoas evoluem e mudam, essa é a lei natural. Vamos então, acompanhar este processo e descobrir o que de novo tem dentro da gente e do nosso companheiro de vida, ajudando o tempo a não corroer o nosso romance. Com o passar dos dias, um novo homem, uma nova mulher, novas descobertas, novas conquistas, novos passos, uma nova lua-de-mel, uma nova maneira de namorar, de olhar, de paquerar, de seduzir, de satisfazer. E sempre com a mesma pessoa. Esta é a beleza.

Quando escolhemos alguém para caminhar ao nosso lado, sabemos que escolhemos também os seus defeitos e suas dificuldades. E o crescimento se dá a partir disso, do que não é fácil ou perfeito, da forma que lidamos, do nosso grau de aceitação e da admiração que precisa estar sempre ali, caminhando junto. Desta forma o respeito permanece e o amor vai se transformando, tornando-se cada vez mais sólido. Com escuta, diálogo e paciência. Afinal, alguém disse que seria fácil?

Música inspiradora do dia: o silêncio

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Em tempos de discórdia

Em tempos de discórdia, onde um olhar pode se transformar em briga,é necessário resgatar a nossa essência. Todos nós, além de outras qualidades e defeitos, somos amorosos, delicados, sensíveis e alegres. Quando estas qualidades começam a ficar escondidas ou praticamente invisíveis, podemos identificar o real resultado das nossas experiências pessoais. Afinal, somos resultado delas. Do amor que recebemos, das broncas que levamos, da ausência que sentimos, das saudades, das alegrias, dos silêncios, das carências, das mágoas, das decepções, das inseguranças e assim por diante.

Basta acompanharmos o crescimento de uma criança e observarmos o quanto elas absorvem comportamentos dos que estão por perto. O quanto é fácil desaparecer aquela pureza de quando ainda são pequenininhos. Penso nos gritos, na forma áspera de falar, nos limites não dados, na violência física, na falta de escuta, na mãe com o olhar atento ao computador enquanto a criança tenta dizer alguma coisa e não recebe sequer um segundo de atenção, no doar exagerado de presentes e balas que parecem substituir o afeto, no tapa desnecessário que apenas magoa e marca o coração, nos olhares pedintes de atenção, nos desejos de pais projetados em seus filhos.

Em tempos de discórdia, podemos doar o lugar para um idoso, podemos pedir desculpas mesmo que apenas para evitar um conflito, podemos socorrer um desconhecido, podemos sorrir para atrair mais sorrisos, podemos sentir raiva, podemos brincar para descontrair, podemos dizer o que pensamos, podemos expressar nossos sentimentos, podemos chorar na frente dos outros, podemos ser verdadeiros porque isso é essencial. E o bom exemplo é a melhor opção para mantermos a essência daqueles que ainda não a perderam – nossas crianças.

Em tempos de discórdia, podemos manter a dignidade.

Em tempos de discórdia, discorde, mas não perca tempo.

Música inspiradora do dia: Society (Eddie Vedder)



Amores ricos

Grandes riquezas materiais nas mãos de pessoas sem escrúpulos. Muito amor no coração de pessoas sem grandes riquezas. Amor e riquezas nas mãos de poucos, pouquíssimos. Quem apenas possui certas riquezas talvez não possa transformá-las em amor, mas quem ama tem nas mãos o poder da criação de grandes riquezas.

Música inspiradora do dia: Tango - Gotan Project - Santa Maria

sábado, 28 de janeiro de 2012

Que venha a chuva!

Chuva limpa, chuva leva, chuva ajuda a parar. Chuva desanima. Chuva traz o amor, o carinho, o cobertor, a pipoca, o brigadeiro, a saudade. Chuva traz a dor, leva pessoas, traz consciência. Chuva com sol faz rir, chuva de surpresa traz risadas, temporal de surpresa traz gargalhada. Chuva dirigindo traz o medo. Chuva arrumada traz a raiva. Chuva sem bota dá nojo. Chuva na piscina traz paz. Chuva traz o trovão. Trovão dá medo. O trovão vem com o raio que é lindo e atrai o olhar. Chuva traz o resfriado, que vem com a reflexão e a companhia. Chuva traz o cinema, que traz a emoção. Chuva traz o vento que leva.
Situações diferentes e uma só. Olhares e sentimentos diversos. Então, que venha a chuva! De experiências, de situações, de surpresas, de vida!

Música inspiradora do dia: a chuva...