sexta-feira, 1 de junho de 2012

O som que silencia

Às vezes acontece de querermos escrever e nada sair. O que fazer nesse momento? Deixar pra lá ou forçar para que se produza alguma coisa de qualquer maneira? Eu prefiro deixar fluir. Até porque escrever para mim é isso, deixar vir, deixar ir, sem obrigações.

Hoje é um dia desses, onde tenho tudo para dizer mas ao mesmo tempo nada. A canção que ouço no momento ocupa todos os meus espaços vazios. Só não ocupa o da vontade de conseguir um dia produzir algo assim, de tão profunda beleza.

Não me preocupo muito porque também sou feita desses espaços. E hoje preciso deles para poder preenchê-los com música. A música dos passos, a música da coragem, a música das certezas, das decisões, a música das músicas.

Essa sensação também é boa, a de caminhar sem saber para onde, mas com a mesma vontade que eu teria se tivesse que chegar a algum lugar. A sensação de simplesmente ir.

Normalmente precisamos saber muita coisa. De onde estamos partindo, onde vamos chegar, para que fazemos certas coisas, o que vamos ganhar com isso, quem vai com a gente, quem fica, e, e, e. E pouco escutamos as notas musicais que estão espalhadas pelo próprio ar que respiramos (quando respiramos). Quantas canções poderíamos construir!

E as notas passam, se repetem, pausam, silenciam, trazem o ritmo do nosso caminhar. Aceleram, esperam alguma outra chegar, chegam juntas, se vão sozinhas, se prolongam, chegam de surpresa, com força, suavizam, trabalhando juntas, sempre. Cada uma no seu tempo, se respeitando, com seus limites e capacidades, sempre se superando.

E eu as sigo, a cada segundo, e volto a não ter nada a dizer. O silêncio dos espaços vão sendo preenchidos, num volume cada vez mais alto, na melhor forma encontrada de combinar sons e silêncio!

Música inspiradora do dia: The Park on Piano - Finding Neverland