Às vezes acontece de
querermos escrever e nada sair. O que fazer nesse momento? Deixar pra lá ou
forçar para que se produza alguma coisa de qualquer maneira? Eu prefiro deixar
fluir. Até porque escrever para mim é isso, deixar vir, deixar ir, sem
obrigações.
Hoje é um dia desses,
onde tenho tudo para dizer mas ao mesmo tempo nada. A canção que ouço no
momento ocupa todos os meus espaços vazios. Só não ocupa o da vontade de conseguir
um dia produzir algo assim, de tão profunda beleza.
Não me preocupo muito
porque também sou feita desses espaços. E hoje preciso deles para poder
preenchê-los com música. A música dos passos, a música da coragem, a música das
certezas, das decisões, a música das músicas.
Essa sensação também é
boa, a de caminhar sem saber para onde, mas com a mesma vontade que eu teria se
tivesse que chegar a algum lugar. A sensação de simplesmente ir.
Normalmente precisamos
saber muita coisa. De onde estamos partindo, onde vamos chegar, para que
fazemos certas coisas, o que vamos ganhar com isso, quem vai com a gente, quem
fica, e, e, e. E pouco escutamos as notas musicais que estão espalhadas pelo próprio
ar que respiramos (quando respiramos). Quantas canções poderíamos construir!
E as notas passam, se
repetem, pausam, silenciam, trazem o ritmo do nosso caminhar. Aceleram, esperam
alguma outra chegar, chegam juntas, se vão sozinhas, se prolongam, chegam de
surpresa, com força, suavizam, trabalhando juntas, sempre. Cada uma no seu
tempo, se respeitando, com seus limites e capacidades, sempre se superando.
E eu as sigo, a cada
segundo, e volto a não ter nada a dizer. O silêncio dos espaços vão sendo
preenchidos, num volume cada vez mais alto, na melhor forma encontrada de
combinar sons e silêncio!
Música inspiradora do dia: The Park on Piano - Finding Neverland