terça-feira, 26 de março de 2013

Essa resposta eu não sei dar


Hoje me perguntaram o que eu achava de uma certa situação onde muitas pessoas discutiam com um objetivo de chegar a algum lugar comum, mas não conseguiam. Eu não participava, apenas acabei acompanhando por algumas circunstâncias da vida. Fiquei ali, tentando não ser percebida, quieta. Recorri aos livros, à musica, aos pensamentos, mas todos ficaram muito pequenos diante de tantas palavras, gestos, frases interrompidas e pensamentos confusos.

Eu não consegui responder. Meu desejo maior era de continuar apenas assistindo aquilo tudo, sem participar.

Eu não entendia porque todos falavam ao mesmo tempo, por que gritavam, por que se exaltavam. As conversas se cruzavam. Era fácil enxergar que enquanto alguém falava, um segundo interrompia e o terceiro, quarto ou quinto estavam concentrados em decidir o que falariam na próxima oportunidade. Observando de fora, foi fácil perceber o que era necessário ali. Bastava que se escutassem. Tinham o mesmo objetivo: resolver a situação. Mas o objetivo pessoal de comandar a verdade impedia que isso fosse visto por eles mesmos. 

Apesar de não estar inserida no grupo, pediram novamente a minha opinião. E eu, mais uma vez, não consegui responder.Só era possível, naquele momento, olhar, olhar e observar.

Será que eu não tenho nada a dizer diante desse caos? É ele, parte de mim. É o próprio ser humano com suas atitudes intempestivas, inconsequentes. O orgulho e a necessidade de afirmação ali, mais uma vez, presentes. Formava-se um mundo paralelo. Sim, pois não está correspondendo à verdadeira essência do ser humano, àquela em que acredito, onde todos têm vez, sentimentos compreendidos, tempo e espaço para expor suas opiniões.

Vivemos com a eterna esperança de um amanhecer de ilustres aprendizados que,verdadeiramente,  só virão se tivermos a capacidade de um entendimento ampliado. Entender o outro e a si mesmo, descobrir nossos processos e padrões paralisantes.

É mais fácil achar que a vida vai caminhar e que as coisas virão através da nossa simples boa vontade. É necessário um esforço maior. É preciso trabalho e estudo. Não usamos todas as nossas capacidades, precisamos descobri-las, alcançá-las. Talvez assim, dedicados a isso, estejamos ocupados o suficiente trabalhando para o nosso próprio crescimento e o que o outro tiver para dizer será indispensável para os nossos ouvidos, pois cada palavra absorvida contribuirá para saber quem somos ou mesmo que não somos. Caso contrário, não ficaremos apenas surdos. Ficaremos também cegos e mudos, vivendo intensamente nossos mundos artificiais.

Curiosos com a minha silenciosa observação, foram silenciando aos poucos e me olhando. Seus olhares praticamente exigiam que alguma palavra saísse da minha boca. Mas eu estava tão concentrada em descobrir o que daquilo tudo pertencia a mim também, que nem uma palavra esbocei. O silêncio permaneceu e mais ninguém falava nada, apenas se olhavam, tentando desvendar aquela situação. Em silêncio. Naquele momento, tenho certeza que mais um passo foi dado ao autoconhecimento de todos os envolvidos. Percebemos que não existem verdades absolutas, pois para algo se tornar verdade precisamos crer e as crenças mudam, caem diariamente, se fortalecem, se modificam.E novas verdades nascem.É assim. Assim como nós.

Música inspiradora do dia: Querer (Cirque du Soleil)