domingo, 7 de abril de 2013

Presenças


Qual será o motivo da presença das pessoas em nossas vidas? Será que cada uma delas tem alguma função específica ou tudo seria igual com umas ou com outras?

Algumas nos acompanham por toda vida, naturalmente. Durante anos, caminham ao nosso lado. Se vão depois de um tempo ou permanecem para sempre. Outras são bem passageiras, aparecem de repente e, com a mesma velocidade, se vão. Algumas surgem ao passar do tempo e, aconteça o que for, continuam ali, bem pertinho.

E ainda têm aquelas que vêm depois de anos e, quando aparecem, a impressão que dá é que sempre estiveram ao nosso lado, só não tinham sido ainda percebidas.

Interessante essas indas e vindas. Cada uma com seu jeito, suas experiências, sua maneira de ser e de nos tratar. Umas se preocupam caladas, enquanto outras brigam pela sua presença e são verdadeiras reivindicadoras da amizade. Têm aquelas pessoas também que a gente quase não encontra mas, quando isso acontece, é como se víssemos todos os dias. O tempo que permanecem com a gente ou a convivência, não calculam o grau de importância e o quanto significam umas para as outras.

E aquelas que encontramos pouco mas esperamos ansiosamente o momento  de revê-las? Não precisam registrar a nossa presença, mas precisamos estar perto para saber que tudo continua bem e, talvez, alegrar um pouquinho nosso coração.

E aí é que está a graça dessas relações. Quando aprendemos as características de cada pessoa e lidamos com elas sem cobranças e com expectativas que estejam ao alcance delas mesmas, é muito bom. Entendemos seus desejos, suas próprias capacidades e, até mesmo, as funções que estão a cumprir.

Acho que esse é um dos grandes aprendizados que a vida nos traz. 

Música inspiradora do dia: Amor sem limite (Chico Pessoa)

terça-feira, 26 de março de 2013

Essa resposta eu não sei dar


Hoje me perguntaram o que eu achava de uma certa situação onde muitas pessoas discutiam com um objetivo de chegar a algum lugar comum, mas não conseguiam. Eu não participava, apenas acabei acompanhando por algumas circunstâncias da vida. Fiquei ali, tentando não ser percebida, quieta. Recorri aos livros, à musica, aos pensamentos, mas todos ficaram muito pequenos diante de tantas palavras, gestos, frases interrompidas e pensamentos confusos.

Eu não consegui responder. Meu desejo maior era de continuar apenas assistindo aquilo tudo, sem participar.

Eu não entendia porque todos falavam ao mesmo tempo, por que gritavam, por que se exaltavam. As conversas se cruzavam. Era fácil enxergar que enquanto alguém falava, um segundo interrompia e o terceiro, quarto ou quinto estavam concentrados em decidir o que falariam na próxima oportunidade. Observando de fora, foi fácil perceber o que era necessário ali. Bastava que se escutassem. Tinham o mesmo objetivo: resolver a situação. Mas o objetivo pessoal de comandar a verdade impedia que isso fosse visto por eles mesmos. 

Apesar de não estar inserida no grupo, pediram novamente a minha opinião. E eu, mais uma vez, não consegui responder.Só era possível, naquele momento, olhar, olhar e observar.

Será que eu não tenho nada a dizer diante desse caos? É ele, parte de mim. É o próprio ser humano com suas atitudes intempestivas, inconsequentes. O orgulho e a necessidade de afirmação ali, mais uma vez, presentes. Formava-se um mundo paralelo. Sim, pois não está correspondendo à verdadeira essência do ser humano, àquela em que acredito, onde todos têm vez, sentimentos compreendidos, tempo e espaço para expor suas opiniões.

Vivemos com a eterna esperança de um amanhecer de ilustres aprendizados que,verdadeiramente,  só virão se tivermos a capacidade de um entendimento ampliado. Entender o outro e a si mesmo, descobrir nossos processos e padrões paralisantes.

É mais fácil achar que a vida vai caminhar e que as coisas virão através da nossa simples boa vontade. É necessário um esforço maior. É preciso trabalho e estudo. Não usamos todas as nossas capacidades, precisamos descobri-las, alcançá-las. Talvez assim, dedicados a isso, estejamos ocupados o suficiente trabalhando para o nosso próprio crescimento e o que o outro tiver para dizer será indispensável para os nossos ouvidos, pois cada palavra absorvida contribuirá para saber quem somos ou mesmo que não somos. Caso contrário, não ficaremos apenas surdos. Ficaremos também cegos e mudos, vivendo intensamente nossos mundos artificiais.

Curiosos com a minha silenciosa observação, foram silenciando aos poucos e me olhando. Seus olhares praticamente exigiam que alguma palavra saísse da minha boca. Mas eu estava tão concentrada em descobrir o que daquilo tudo pertencia a mim também, que nem uma palavra esbocei. O silêncio permaneceu e mais ninguém falava nada, apenas se olhavam, tentando desvendar aquela situação. Em silêncio. Naquele momento, tenho certeza que mais um passo foi dado ao autoconhecimento de todos os envolvidos. Percebemos que não existem verdades absolutas, pois para algo se tornar verdade precisamos crer e as crenças mudam, caem diariamente, se fortalecem, se modificam.E novas verdades nascem.É assim. Assim como nós.

Música inspiradora do dia: Querer (Cirque du Soleil)