Em tempos de discórdia, onde um olhar pode se transformar em briga,é necessário resgatar a nossa essência. Todos nós, além de outras qualidades e defeitos, somos amorosos, delicados, sensíveis e alegres. Quando estas qualidades começam a ficar escondidas ou praticamente invisíveis, podemos identificar o real resultado das nossas experiências pessoais. Afinal, somos resultado delas. Do amor que recebemos, das broncas que levamos, da ausência que sentimos, das saudades, das alegrias, dos silêncios, das carências, das mágoas, das decepções, das inseguranças e assim por diante.
Basta acompanharmos o crescimento de uma criança e observarmos o quanto elas absorvem comportamentos dos que estão por perto. O quanto é fácil desaparecer aquela pureza de quando ainda são pequenininhos. Penso nos gritos, na forma áspera de falar, nos limites não dados, na violência física, na falta de escuta, na mãe com o olhar atento ao computador enquanto a criança tenta dizer alguma coisa e não recebe sequer um segundo de atenção, no doar exagerado de presentes e balas que parecem substituir o afeto, no tapa desnecessário que apenas magoa e marca o coração, nos olhares pedintes de atenção, nos desejos de pais projetados em seus filhos.
Em tempos de discórdia, podemos doar o lugar para um idoso, podemos pedir desculpas mesmo que apenas para evitar um conflito, podemos socorrer um desconhecido, podemos sorrir para atrair mais sorrisos, podemos sentir raiva, podemos brincar para descontrair, podemos dizer o que pensamos, podemos expressar nossos sentimentos, podemos chorar na frente dos outros, podemos ser verdadeiros porque isso é essencial. E o bom exemplo é a melhor opção para mantermos a essência daqueles que ainda não a perderam – nossas crianças.
Em tempos de discórdia, podemos manter a dignidade.
Em tempos de discórdia, discorde, mas não perca tempo.
Música inspiradora do dia: Society (Eddie Vedder)
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